Riba de Ave

(2015-2017)

“Riba de Ave” apresenta uma série de fotografias de pormenores de um lugar, aparentemente vazio ou abandonado. Lugar esse, nunca desvendado, mas apenas sugerido. A ausência de uma vista panorâmica ou de detalhes identitários transforma este lugar num “qualquer”, ou, por outras palavras, num lugar que, dentro daquela tipologia, poderia ser outro. Assim, através desta metodologia de registo, o lugar torna-se representativo de todos os lugares seus semelhantes e adquire a capacidade de narrar uma história no plural.

A história que aqui se conta, sem apontar um sujeito, é uma história da obsolescência. Aquele espaço encontra-se em desuso, reduzido à inutilidade da esteticização do olhar e esperando a sua eventual ruína. As suas características arquitetónicas relatam o fim de uma era – que é o mesmo que dizer de um ‘modo de produção’. É a história da produção nacional a ser substituída por multinacionais com fábricas sediadas em países com a mão de obra mais barata. É a história de uma reconfiguração económica que provocou a insolvência de inúmeras empresas familiares. É, afinal, a história de um Portugal no início de 2000, um país que se tinha voltado bruscamente para o sector terciário, como opção de sobrevivência e cujos despojos de uma autonomia passada proliferam em forma de pedreiras, metalúrgicas, cerâmicas, fiações… agora destituídas de função e de apelido.

Impressão jato de tinta s/ papel Fine Art . Várias dimensões . Edição: 6+1AP

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